sábado, 16 de fevereiro de 2008

Todos estão cegos




Na tentativa de defender aquilo que crêem alguns de nós se tornam muito radicais.

“Por acharem que o seu pensamento (e só o seu) está correto, tentam forçar outros a entrarem na casa pela mesma porta que eles. Mas alguns, escolhem entrar por uma das janelas ou por outra porta, e no fim, todos foram parar na mesma casa. (Acredito que alguns não encontrarão nenhuma das veredas que há no caminho que leva a casa, mas aí já é outra história)”. Assim procedem os irmãos que pensam em salvar o mundo inteiro enfiando goela abaixo suas doutrinas ou idéias nos outros.

Talvez ao ler isso que escrevi acima, a primeira coisa que lhe venha à mente seja os irmãos tradicionais ou pentecostais de alguma denominação pequena, que interpreta a Bíblia de Gênesis a Apocalipse o mais literalmente possível. Sim, eu estava falando deles TAMBÈM, mas na minha mente, junto com eles estavam os irmãos mais liberais e de mente aberta. Estes ao olharem aqueles (os tradicionais) o que vêem são “pobres diabos” de mentes limitadas.

Na verdade, esta não é muito diferente da visão que os tradicionais têm dos “liberais”, pois pensam ser estes apenas pecadores enganados pelo diabo.

Isso me lembra a velha (e tola) briga que havia entre Judeus e Samaritanos, que por questões religiosas e afins nem sequer se falavam.
Jesus disse a mulher Samaritana: “Vós adorais o que não conheceis”. E disse aos Judeus: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos.”
Logo vemos que para Jesus todos estavam no erro.

Assim como Judeus e Samaritanos, vemos hoje as brigas sem sentido entre tradicionais e “liberais”, e em vez de cada um tirar a trave dos olhos pra ver o cisco do olho do irmão, fica todo mundo espetando os próprios olhos e jogando areia nos olhos dos outros. Sem amor e sem misericórdia, tanto um como outro costumam ser o júri o juiz e o carrasco.
Ora, basta um olhar neutro sobre os dois grupos (tradicionais e “liberais”) para chegarmos a mesma conclusão que Paulo: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.”

Sendo assim, quem está certo nessa “briga” toda? Ninguém, e também não importa quem tem ou deixa de ter razão.

Um dia alguém disse: “Ter razão é um perigo. Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão.Nem queira!!!” Artur da Távola estava certo... É preciso saber a hora de ter razão.

A verdade é que, todos pecaram (se mais ou menos, não importa) e todos necessitam de um salvador, e Deus, a TODOS amou. E já que, todos têm teto de vidro, o mais sensato a fazer é evitar jogar tanta pedra no teto dos outros pra que não caia um meteoro no nosso. ;)

Concordo com Gilberto de Nucci quando disse: “Para mim os homens caminham pela face da Terra em fila indiana. Cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás. Na sacola da frente, nós colocamos as nossas qualidades.Na sacola de trás guardamos os nossos defeitos. Por isso durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos presas em nosso peito.
Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente nas costas do companheiro que está adiante, todos os defeitos que ele possui. E nos julgamos melhores que ele, sem perceber que a pessoa andando atrás de nós, está pensando a mesma coisa a nosso respeito
.”

Enchendo-se de razões e esvaziando-se de amor... Assim, tristemente, caminha a humanidade.

Enfim... O “liberal” não despreze o tradicional; e o tradicional não julgue o liberal, porque Deus o acolheu...

Pitura de Eduard Munch (o grito)


1 comentários:

Éverton Vidal Azevedo disse...

Eu já disse, mas vou repetir... achei o texto muito bom! Reflete bem o seu modo de ser com respeito a essas questoes de convicçoes.

Só acho que até a tolerância de mais é ruim - e vc concorda com isso.

Continue escrevendo! A cada dia vc me surpreende mais com seus textos.

Bj!
Inté!